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Ceará Parte 1.

No primeiro instante em terras nunca antes pisadas por meus pés, de mochila nas costas, entramos no taxi de Seu Alísio. Nascido nesta terra e vivido boa parte da vida em São Paulo...voltara para cá ja aposentado. 3 filhos, duas meninas, já moças trabalhando, uma passou num concurso, a outra não lembro. O rapaz era o caçula, trabalha na área de Educação Física junto a noiva. Seu Alísio não gosta de dirigir, mas precisava trabalhar. Antes trabalhava embarcado. 15 dias no mar, 15 dias na terra. Achava que o povo daqui valoriza mais marca do que gente. No dia seguinte, conhecemos o Paulo. Baiano, criado no Rio de Janeiro e que hoje tem um estande de Rendas, aqui nesta terra. Ele desenha os modelos das saídas de praia e manda para a moça fazer. Fiquei sem saber quem era a moça. Nos contou que gosta de Salvador, tem parentes lá. Que a melhor hora para comprar passagem batata é quinta de madrugada. Que já aconteceu de achar uma passagem tão barata que foi tomar café da manhã com a irmã ...

Piscar de olhos.

Sobre existir, no instante que está diante dos seus olhos, sobre não poder prever o segundo seguinte, não..não.. sobre não querer prever o segundo seguinte. Sobre aplicar a teoria, e ver ela se moldar na realidade, um mar de possibilidades.  Sobre uma dor no centro, uma dor fundante, devoradora, que come violentamente tudo o que você é agora e deixa exposto, tudo o que você pode se tornar. Será que as lagartas, sentem essa dor, antes de serem borboletas? Será que os anjos que caíram sentiram essa dor? Será que isso humano?

Telefone - minha casa.

Me vi em frente ao telefone com o objetivo de fazer uma ligação. Não, não estava querendo marcar um médico, nem ligar uma operadora. Queria fazer uma ligação, pasmem, para conversar com alguém. Com uma familiar, com um amigo... conversar a moda antiga, sabe, com os sons que saem da boca. O primeiro número era de uma pessoa querida, que já não vejo a um tempo, fora da área de cobertura. O segundo, outra pessoa querida, com quem eu costumava a conversar sobre tudo, esse número não existe. O terceiro de uma pessoa querida, que converso pouco, mas que considero muito, ou assim achava, não achei o número na agenda. A quarta, por fim, era minha mãe mesmo, chamou! chamou, chamou... e ninguém atendeu. Desisti, mandei uma mensagem para ela no whatsapp e fui cuidar da vida.

Mulher.

Ela começou a correr. A alma corria um passo a frente dela, e ela sorria. Não mamãe, desculpe, eu não quero casar. Eu não quero escolher entre vestidos brancos, pueris, se o verde cai tão bem em mim. Não eu não quero brindar naquela tacinha fina, com champagne, se eu gosto mesmo é de pequenas doses de tequilas. Como posso jogar buquês, se prefiro cactos? Como percorrer aquele corredor e ser entregue de meu pai, ao meu pretendente, se eu sou minha e só minha? Eu quero de verdade é conviver, compartilhar, confidenciar e apoiar. Já me ensinou a fazer a vida inteira sem precisar casar, somos uma família assim, pois bem.... Desculpe mamãe, não quero casar. Quero ser família.

Escorrendo açúcar.

Eu desconheço essa falta de vontade de brigar pelo melhor cenário. Mas cansa descobrir que não posso ficar aqui no seu abraço, por que eu preciso correr e seu braço não sai do lugar. Que a gente foi feito para ser fruto, degustado para que nossas sementes floresçam em outros campos, e você prefere cair e ser adubo da mesma arvore de sempre, do mesmo pedaço de terra. Já fui adubo, ja fui espinho, já fui flor, já fui buquê que morreu sozinho, junto com outras mil juras desse apego que a gente insiste em chamar de amor. E da ultima abelha que vi passar, agarrei suas asas e virei mel, só peço meu bem, não me coloque num vidrinho, no fundo do armário da cozinha.

Deusa

Mais uma vez eu fechei os olhos, mas desta vez, não porque não queria ver o que se desenrolava diante de mim. Fechei os olhos para olhar para dentro, para descobrir por onde escorrem todas noites em que não chorei. Onde vibra os soluços que não me permitir dar, queria descobrir onde hiberna toda essa emoção de ser sagrada. Eis que ao esticar o pescoço para debruçar-me em descoberta, pisei em algum calo do coração e senti que despertava nas profundezas do meu útero, uma mulher poderosa. Parada em frente ao um livro, senti subindo pelas entranhas e se espalhando por todo meu sangue, transbordando em meus olhos, dançando em minhas bochechas, como lágrimas de quem renasce. Ela, eu, todas nós num movimento de aconchego, de (re) encontro.

Primeira Viagem Internacional. #1

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Esta viagem tem relação com amizade, sonhos, uma visão em uma meditação. Estou à algumas horas de distância do tão esperado embarque. Não sei se é medo, ainda fico fantasiando que tudo foi uma grande brincadeira e que minha noite vai acabar em Doritos, Coca cola e Netflix. Desta vez é diferente, eu juntei minhas economias por um ano,  e visualizei este momento uma dezena de vezes. Aconteceram viagens, namorado, trabalho, uma série de coisas foram mudando em minha vida, mas este encontro, era um farol, uma meta constante. Pode parecer bobo, mas senti na prática que ter um meta constante a minha frente, me fez passar pelas adversidades da rotina de um modo mais firme. Estou cheia de "grandes decisões" que quero tomar a partir deste ponto de energia, que meu corpo parece que ficou hibernando desde o início das férias. Foram dez dias suspensos, dormindo muito, olhando muito ao meu redor, pouca ação, e muita reflexão. Agora é hora da ação, de estar desperta, de reconectar, ...