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Piscar de olhos.

Sobre existir, no instante que está diante dos seus olhos, sobre não poder prever o segundo seguinte, não..não.. sobre não querer prever o segundo seguinte. Sobre aplicar a teoria, e ver ela se moldar na realidade, um mar de possibilidades.  Sobre uma dor no centro, uma dor fundante, devoradora, que come violentamente tudo o que você é agora e deixa exposto, tudo o que você pode se tornar. Será que as lagartas, sentem essa dor, antes de serem borboletas? Será que os anjos que caíram sentiram essa dor? Será que isso humano?

Telefone - minha casa.

Me vi em frente ao telefone com o objetivo de fazer uma ligação. Não, não estava querendo marcar um médico, nem ligar uma operadora. Queria fazer uma ligação, pasmem, para conversar com alguém. Com uma familiar, com um amigo... conversar a moda antiga, sabe, com os sons que saem da boca. O primeiro número era de uma pessoa querida, que já não vejo a um tempo, fora da área de cobertura. O segundo, outra pessoa querida, com quem eu costumava a conversar sobre tudo, esse número não existe. O terceiro de uma pessoa querida, que converso pouco, mas que considero muito, ou assim achava, não achei o número na agenda. A quarta, por fim, era minha mãe mesmo, chamou! chamou, chamou... e ninguém atendeu. Desisti, mandei uma mensagem para ela no whatsapp e fui cuidar da vida.

Mulher.

Ela começou a correr. A alma corria um passo a frente dela, e ela sorria. Não mamãe, desculpe, eu não quero casar. Eu não quero escolher entre vestidos brancos, pueris, se o verde cai tão bem em mim. Não eu não quero brindar naquela tacinha fina, com champagne, se eu gosto mesmo é de pequenas doses de tequilas. Como posso jogar buquês, se prefiro cactos? Como percorrer aquele corredor e ser entregue de meu pai, ao meu pretendente, se eu sou minha e só minha? Eu quero de verdade é conviver, compartilhar, confidenciar e apoiar. Já me ensinou a fazer a vida inteira sem precisar casar, somos uma família assim, pois bem.... Desculpe mamãe, não quero casar. Quero ser família.

Escorrendo açúcar.

Eu desconheço essa falta de vontade de brigar pelo melhor cenário. Mas cansa descobrir que não posso ficar aqui no seu abraço, por que eu preciso correr e seu braço não sai do lugar. Que a gente foi feito para ser fruto, degustado para que nossas sementes floresçam em outros campos, e você prefere cair e ser adubo da mesma arvore de sempre, do mesmo pedaço de terra. Já fui adubo, ja fui espinho, já fui flor, já fui buquê que morreu sozinho, junto com outras mil juras desse apego que a gente insiste em chamar de amor. E da ultima abelha que vi passar, agarrei suas asas e virei mel, só peço meu bem, não me coloque num vidrinho, no fundo do armário da cozinha.

Deusa

Mais uma vez eu fechei os olhos, mas desta vez, não porque não queria ver o que se desenrolava diante de mim. Fechei os olhos para olhar para dentro, para descobrir por onde escorrem todas noites em que não chorei. Onde vibra os soluços que não me permitir dar, queria descobrir onde hiberna toda essa emoção de ser sagrada. Eis que ao esticar o pescoço para debruçar-me em descoberta, pisei em algum calo do coração e senti que despertava nas profundezas do meu útero, uma mulher poderosa. Parada em frente ao um livro, senti subindo pelas entranhas e se espalhando por todo meu sangue, transbordando em meus olhos, dançando em minhas bochechas, como lágrimas de quem renasce. Ela, eu, todas nós num movimento de aconchego, de (re) encontro.

Primeira Viagem Internacional. #1

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Esta viagem tem relação com amizade, sonhos, uma visão em uma meditação. Estou à algumas horas de distância do tão esperado embarque. Não sei se é medo, ainda fico fantasiando que tudo foi uma grande brincadeira e que minha noite vai acabar em Doritos, Coca cola e Netflix. Desta vez é diferente, eu juntei minhas economias por um ano,  e visualizei este momento uma dezena de vezes. Aconteceram viagens, namorado, trabalho, uma série de coisas foram mudando em minha vida, mas este encontro, era um farol, uma meta constante. Pode parecer bobo, mas senti na prática que ter um meta constante a minha frente, me fez passar pelas adversidades da rotina de um modo mais firme. Estou cheia de "grandes decisões" que quero tomar a partir deste ponto de energia, que meu corpo parece que ficou hibernando desde o início das férias. Foram dez dias suspensos, dormindo muito, olhando muito ao meu redor, pouca ação, e muita reflexão. Agora é hora da ação, de estar desperta, de reconectar, ...

Parceria.

Meu bem, é a segunda vez que coloco a mochila nas costas e vou olhar o mundo por um tempo longe de você. Da primeira vez existia um misto de ansiedade e saudade, pois estávamos nos primeiros passos. Dessa segunda, o coração parece estar mais calmo, afinal já tem um bom tempo que me preparo para esta jornada. Um pouco antes de conhecer, havia tomado a decisão de acreditar no amor. Dentre todos os exemplos aparentemente mal sucedidos que eu conhecia, alguma lição tirei deles. Amar era uma escolha diária, um decisão nem sempre fácil de se tomar. Abracei meu contos de fadas e continuei vivendo minha da adulta transbordando uma felicidade ímpar. Então você apareceu, vamos encarar os fatos, você não é um príncipe encantado num cavalo branco, muito menos eu uma princesa indefesa adormecida te esperando numa torre. Para mim você está mais para uma figurinha holográfica, dessas que vem de surpresa no pacote do Doritos, ora parece um moleque meio sem juízo, que quer apenas uma vida mansa na ...