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Na onda.

Entre tantos outros passos, entre tantas fatias de horas, ou dias de uma semana, de um ano qualquer... Casualmente ao olhar da janela, avistei o contorno das fronteiras do corpo, que em breve chamaria de meu bem. uma dúvida, duas ou três coincidências. Era tudo que eu sabia sobre nós. Não sei se tenho medo, o que vejo, ou do que não vejo, quando olho para você. óbvio e clichê, e por muitas vezes inacreditável. me pergunto, novo vício meu? Ou uma condição de ser? De ser mais de um agora, de ser um passo adiante, para esse tipo de futuro, que sempre me pareceu tão distante? caindo na mesma vala, de onde tantas vezes, retornei machucada, vou ficar aqui no fundo desta vez, deitada. Me vejo ansiosa e cansada. Criei raízes ou asas?

Falta de.

Farta de falsas dores. Vazia de amores. Branca a parede da sala, pintei com morangos, uns orangotangos vermelhos, que tem medo do espelho, na porta do quarto. é lá que refletem os abraços, os amassos, os garfos. Fora da rotina, tudo me cansa, pois sou apaixonada pelo o que não me surpreende. Falta de vocês, todos de antes. Deitados na cama, ou pendurados na estante.

Eu já posso rir?

Ai a gente para reler tudinho e cai na gargalhada. Depois de alguns segundos rindo, parei e pensei que é até um pouco triste, esse romance meu com o drama e pior com o sofrimento. Quando nossas certezas da infância perdem o sentido, é preciso escolher como você vai se reescrever. E você vai reescrevendo poemas o tempo todo. É o fluxo da vida. Então reli algumas postagem perguntando para o silêncio do quarto se eu já podia rir de tudo aquilo agora. Descobri algumas coisas, daquela sérias de coisas que você no fundo já sabia, mas se dá conta num momento de ócio. Essas são as verdades da vida. Bom, primeiramente: Pareeeeeee de forjar o sonho, de tentar controlar o rio com as mãos, não deu certo até aqui, não vai dar certo amanhã. Isso faz parte de mim, querer controlar, para tudo sair como no roteiro. Vou ter que me lembrar que não devo fazer isso até o ultimo dia da vida. Isso eu já entendi e aceitei. Segundo: Eu achava que gostava de hambúrguer, na tentativa de lembrar porque eu...

Nem faz tanto tempo.

Confesso, fiquei esperando. Para ver seu rosto, para lembrar que tudo que sinto é real. Fiquei esperando e o sinal não veio, seu rosto não veio, sem ao menos uma pequena mensagem para me avisar que você não pode cumprir o combinado. Os dias correm com o trânsito, com o calor. Onde estamos não nos permite muito um pelo outro. Não precisaríamos abraçar o mundo, nem fazer juras irreais. O que eu precisava, o que eu oferecia era apenas um :"como foi o seu dia?" a sinceridade de querer saber, de querer compartilhar momentos. O que mais podemos oferecer um ao outro? Mesmo que você estivesse ao meu lado, a vida urbana demanda foco, tempo. Isso que tenho para oferecer, a sinceridade de querer o seu bem, compartilhar relatos e momentos de uma vida corrida e feliz. O detalhe é que eu quis tanto oferecer isso a você mais do que a qualquer outra pessoa.  Eu quis mais de você, ser mais para você.

Sobre enxergar.

A pele negra brilhava no sol de meio dia. De cabelos brancos e rosto marcado pela insanidade ele caminhava torto em minha frente. O cheiro era ruim, as roupas estavam sujas e surradas, sua casa e sua cama deveria ser o asfalto da cidade. Ele flertou com uma jovem, olhou para ela, em seu shortinho jeans, e assoviou. A outra mais na frente ele balbuciou algo como "minha linda". Recebeu em troca, um olhar de nojo, outro de desprezo. Os demais ignoravam-o completamente. "Ai meu deus! Ele não se enxerga não é?" Indagou alguém. Se enxerga sim, pensei eu. Se vê pelo menos como homem, e suas "necessidades masculinas", e talvez fosse melhor para nós enxerga-lo também. Suportaríamos as respostas ásperas às nossas investidas? Suportaríamos os olhares cegos a nossa existência? Se quando "ele" não liga no dia seguinte, já ficamos angustiadas, imagina um dia, sem ser vista, como gente. Como ficaria nossos corações? Abra os olhos, por que o outro é u...

Amor em vida. Segundo capítulo.

Fechou os olhos e sua mente se espalhou pelos mundos. Ela aprendeu que é preciso ter medo. Medo do desconhecido, de não ser aceita, de não ser bonita, de não ser ouvida, de escutar demais, de deixar para trás e de levar consigo. O medo foi por vida seu melhor amigo. O pior que podia ter aprendido, foi ter medo de acreditar. O pôr do sol, conseguia ser lindo todos os dias, mas o medo dizia, isso é impossível. Sua alma, acordava querendo dançar, rápido ou devagar, e fazer o melhor do momento presente, mas o medo dizia, isso é inalcançável. Ah medo, meu doce e implacável amigo. Um dia então, foi convidada e resolveu abraçar árvores, cheia de medo de tudo aquilo. E se eu gostar? e se fizer papel de boba? E se eu for chamada de louca? Depois de algumas árvores, abraços e entraves, pense qual não foi sua surpresa ao perceber qual era o maior de todos os medos? " e se eu ACREDITAR? que ela está viva, cheia de energia, junto comigo e com todo o resto do universo?...

Sobre amar a vida, primeiro capítulo.

Abriu os olhos, era cedo ainda. Os olhos inundados de sol, fecharam de novo. Estava sonhando com você e não queria ter acordado agora. Tentou voltar a dormir mais três vezes. Fez birra com os lençóis. Realmente não queria acordar agora. Não teve jeito, o sol era convidativo, mesmo que ela estivesse desanimada. Levantou e foi se arrastando cuidar das responsabilidades. Após uma primeira rodada de afazeres, e algumas visitas inesperadas, desabou na cama de novo. A mente cansada se recusou a sonhar no começo, sabia que se deixasse ela sonhar com você, acordar seria mais difícil, mas o coração não quis nem saber. E sonhou. Acordou novamente, a duras penas. Tomou um banho, vestiu um sorriso amarelo, combinado com os olhos cansados. Precisava ser o mundo, ver a vida correndo nas veias, estava sufocando. Olhou para você na pequenina foto, te mandou um beijo e saiu. Não foi muito longe, mas se divertiu mais o que imaginava. Dançou, olhou em volta. As vezes tinha a impressão de ter você, ...