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Nem faz tanto tempo.

Confesso, fiquei esperando. Para ver seu rosto, para lembrar que tudo que sinto é real. Fiquei esperando e o sinal não veio, seu rosto não veio, sem ao menos uma pequena mensagem para me avisar que você não pode cumprir o combinado. Os dias correm com o trânsito, com o calor. Onde estamos não nos permite muito um pelo outro. Não precisaríamos abraçar o mundo, nem fazer juras irreais. O que eu precisava, o que eu oferecia era apenas um :"como foi o seu dia?" a sinceridade de querer saber, de querer compartilhar momentos. O que mais podemos oferecer um ao outro? Mesmo que você estivesse ao meu lado, a vida urbana demanda foco, tempo. Isso que tenho para oferecer, a sinceridade de querer o seu bem, compartilhar relatos e momentos de uma vida corrida e feliz. O detalhe é que eu quis tanto oferecer isso a você mais do que a qualquer outra pessoa.  Eu quis mais de você, ser mais para você.

Sobre enxergar.

A pele negra brilhava no sol de meio dia. De cabelos brancos e rosto marcado pela insanidade ele caminhava torto em minha frente. O cheiro era ruim, as roupas estavam sujas e surradas, sua casa e sua cama deveria ser o asfalto da cidade. Ele flertou com uma jovem, olhou para ela, em seu shortinho jeans, e assoviou. A outra mais na frente ele balbuciou algo como "minha linda". Recebeu em troca, um olhar de nojo, outro de desprezo. Os demais ignoravam-o completamente. "Ai meu deus! Ele não se enxerga não é?" Indagou alguém. Se enxerga sim, pensei eu. Se vê pelo menos como homem, e suas "necessidades masculinas", e talvez fosse melhor para nós enxerga-lo também. Suportaríamos as respostas ásperas às nossas investidas? Suportaríamos os olhares cegos a nossa existência? Se quando "ele" não liga no dia seguinte, já ficamos angustiadas, imagina um dia, sem ser vista, como gente. Como ficaria nossos corações? Abra os olhos, por que o outro é u...

Amor em vida. Segundo capítulo.

Fechou os olhos e sua mente se espalhou pelos mundos. Ela aprendeu que é preciso ter medo. Medo do desconhecido, de não ser aceita, de não ser bonita, de não ser ouvida, de escutar demais, de deixar para trás e de levar consigo. O medo foi por vida seu melhor amigo. O pior que podia ter aprendido, foi ter medo de acreditar. O pôr do sol, conseguia ser lindo todos os dias, mas o medo dizia, isso é impossível. Sua alma, acordava querendo dançar, rápido ou devagar, e fazer o melhor do momento presente, mas o medo dizia, isso é inalcançável. Ah medo, meu doce e implacável amigo. Um dia então, foi convidada e resolveu abraçar árvores, cheia de medo de tudo aquilo. E se eu gostar? e se fizer papel de boba? E se eu for chamada de louca? Depois de algumas árvores, abraços e entraves, pense qual não foi sua surpresa ao perceber qual era o maior de todos os medos? " e se eu ACREDITAR? que ela está viva, cheia de energia, junto comigo e com todo o resto do universo?...

Sobre amar a vida, primeiro capítulo.

Abriu os olhos, era cedo ainda. Os olhos inundados de sol, fecharam de novo. Estava sonhando com você e não queria ter acordado agora. Tentou voltar a dormir mais três vezes. Fez birra com os lençóis. Realmente não queria acordar agora. Não teve jeito, o sol era convidativo, mesmo que ela estivesse desanimada. Levantou e foi se arrastando cuidar das responsabilidades. Após uma primeira rodada de afazeres, e algumas visitas inesperadas, desabou na cama de novo. A mente cansada se recusou a sonhar no começo, sabia que se deixasse ela sonhar com você, acordar seria mais difícil, mas o coração não quis nem saber. E sonhou. Acordou novamente, a duras penas. Tomou um banho, vestiu um sorriso amarelo, combinado com os olhos cansados. Precisava ser o mundo, ver a vida correndo nas veias, estava sufocando. Olhou para você na pequenina foto, te mandou um beijo e saiu. Não foi muito longe, mas se divertiu mais o que imaginava. Dançou, olhou em volta. As vezes tinha a impressão de ter você, ...

Prelúdio de um voo, Dois.

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a autopiedade é como um bolo que você gosta, só que doce demais. Demais da conta. Daqueles que você continua empurrando para dentro, e não sabe como suportou o primeiro pedaço. Se terminar de engolir tudo com uma coca cola então, pronto! Pode prostrar-se e morrer, sendo vítima do tédio. Dito isto, preciso te contar uma coisa. Tinha medo. Subi no alto de uma montanha verde, quando o sol já beijava o mar e pulei. Tive todas as certezas, que se podia ter ao pula do alto da própria vida. A certeza que ia cair, que espatifar me, que sangraria sozinha até morrer.  Açúcar demais no meu bolo, como pode-se ver. A eternidade de segundos antes da superfície fria, me fez olhar em volta, mais uma vez, de novo e novamente. Redundante e óbvio? Como respirar, que deveria nos lembrar a cada segundo, que divinos somos. A muito mais vida, que livros para ler, que ciências para conhecer, que lágrimas para chorar. Só hoje, recebi tantos sorrisos de desconhecidos, só por ser educada, ou gentil, o...

Prelúdio de um vôo.

Em certo momento, acordei, enjoada. o prelúdio do fim dessa semana, me socou o estômago, me deixando zonza. Durante todo dia, entre um trabalho e outro, fui assaltada de mim, arrastada para aquela sensação, que é a sombra da saudade. Entre contas, planejamentos, sonhos e metas, ainda não me encontrei. Não sei o som que sua resposta vai ter. Sabe o que é? É que desde de sempre, eu tive medo. Mas agora, não quero mais ter.

Dois atos, vida.

Não foi tristeza, o que a acordou. Foi uma grandessíssima indiferença, um não-existir. Eis que sua alma, parecia correr em várias direções engatando conversas sem sentido. Um dia ela estava perdidamente apaixonada pela vida, no outro, queria simplesmente morrer. Mesmo no silêncio, a quietude não vinha. Infância. A Bicicleta era grande e rosa, com uma cestinha branca na frente, se quisesse levar alguma coisa. Um misto de medo e alegria, será que se machucaria se tirassem a rodinha de apoio? Sentada no chão de ladrilho vermelho, ela abraçava as pernas, olhava os donos dos cachorros passeando. Ora deitava, no chão ainda quente de sol de tarde e assim, que o sol começava a se esconder entre as folhas verdes que rodeavam o dique, Elas começavam a cantar. Ouvir cigarras era experimentar a paz de um mundo só seu, protegida. Adolescência. O vento bagunçava o cabelo, impregnando-o com cheiro de maresia. O mar sempre cumpria seu papel, quando ela estava melancólica. Ia e voltava ...