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Dois atos, vida.

Não foi tristeza, o que a acordou. Foi uma grandessíssima indiferença, um não-existir. Eis que sua alma, parecia correr em várias direções engatando conversas sem sentido. Um dia ela estava perdidamente apaixonada pela vida, no outro, queria simplesmente morrer. Mesmo no silêncio, a quietude não vinha. Infância. A Bicicleta era grande e rosa, com uma cestinha branca na frente, se quisesse levar alguma coisa. Um misto de medo e alegria, será que se machucaria se tirassem a rodinha de apoio? Sentada no chão de ladrilho vermelho, ela abraçava as pernas, olhava os donos dos cachorros passeando. Ora deitava, no chão ainda quente de sol de tarde e assim, que o sol começava a se esconder entre as folhas verdes que rodeavam o dique, Elas começavam a cantar. Ouvir cigarras era experimentar a paz de um mundo só seu, protegida. Adolescência. O vento bagunçava o cabelo, impregnando-o com cheiro de maresia. O mar sempre cumpria seu papel, quando ela estava melancólica. Ia e voltava ...

sombria.

Tudo que eu queria era a escuridão do dia frio, onde o sol só aparece ao meio dia. Não para despertar tarde, mas para que entre os lençóis frios, seu corpo quente, misturasse seu contorno com o meu. A cada pedacinho de lua que escurece, mais perto fica o dia da grande saudade.

HD de você.

Além da minha vida que ferve lá fora. Do tudo arrumado, trabalho, rotina, café e cortina. Eu parei para bater as fotos e gravar uns vídeos de nós dois. Eis que tudo fica armazenado no HD, até mais do que na vida. E olhei tudo, e ri. Ri do nosso primeiro momento, do frio "das conquistas". Foi divertido ver como eramos bobos, e continuamos bobos, cada um do seu lado, somos bobos da vida. O guarda sol laranja e o céu azul, combinam com seu sorriso. O fim, é que você prefere chuva e tem vergonha de sorrir.

esquetes passadas.

************************* A cova da raiva. Perco a paciência, O rastro,o tato que afaga. Fico cega de raiva... Irada,possessa, sem graça.  Explodo por dentro Com olhar escuro, Semeio silêncio.  Passada, lotada de desejo Sentir nos meus dedos, Esmigalhada a fala mansa ousada, Sem receio do flagra. Pesada, a fala cava e rega Com sangue no olho A semente da mágoa. Pois,segue calada. ********************************* Joana olha insistentemente a cozinha, um clima de amor frio impregna a sala. Tento escrever e escutar uma música ao mesmo tempo, impossível. A música é daquelas que tem que ser ouvida, devorada, sentida nos ossos e no coração. O vento na janela deixou de sussurrar e agora grita no silêncio da casa vazia. Marvin e Joana conversam no tapete, se embolam um tentando imobilizar o outro numa paz absurda, num conflito sem briga, sem raiva. Joana mais cedo achou a dobra do meu joelho um lugar confortável para dormir. Cochilamos juntas, coisa rara afinal. Hoje foi um dia d...

Presente.

Preciso contar um segredo. Revelar um pedacinho tortuoso de mim: Eu classifico pessoas. Não gosto muito de julgar, então classifico. O ato de classificar é feito com base em comportamentos anteriores, podendo ou não incluir juizo de valor destes mesmos comportamentos. Enfim. A partir das minha ações classifico o modo como vou me relacionar com as pessoas, a partir da minha ação no momento. Se eu sorrir para você hoje, quer dizer que amanhã serei assim ou "assado" por que este meu jeito de sorrir, inclui você na minha lista mental tal. Calma, prometi só enlouquecer, ou pelo menos mostrar ao mundo minha loucura, quando estiver mais velha. uns 80 anos. Classificar pessoas mantêm minha mente ocupada, numa tentativa frustrada de ficar no presente. Frustrada porque classificar consiste em analisar o passado e o futuro o tempo todo, enquanto a vida acontece. Isso por ser extremamente irritante. A porta para o presente nos é ensinada ao nascer: Respirar.

Sobre a casa do amor.

Encarou duas imagens. Uma mostrava os olhos por quem ela preparou tudo no coração. Limpou, arrumou, perfumou. Bastava ele entrar, mas ele ficou na porta, mesmo com a porta aberta. Era uma sensação estranha, a visita tão esperada, não passar da porta, mas passar muito tempo lá.   A outra, mostrava os olhos de quem foi entrando, sem ela nem perceber. Entrou, sentou, dormiu, comeu, amou. Logo depois, ela reclamou de algo e ele quebrou tudo. E ela ajudou a quebrar tudo. Por dentro tudo ficou uma bagunça só. Por fora, aquele sorriso polido de quem não vai mostrar o que está sentido de jeito nenhum. Ah mas este era muito mais antigo. uma da manhã, ela lembrou de um outro rosto. Este não bateu na porta. Estava tudo rearrumado, intacto e trancado. Ele apareceu na janela. Sorriu, perguntou se podiam conversar. E conversaram ali mesmo na janela, por horas. Ela não encontra a chave da porta, esqueceu onde colocou.

peixes

Como peixes florescentes coloridos, os pensamentos saltavam brincalhões. A grande maioria nadava sobre acelerar o curto tempo, contando uma história que ainda não existia para ser contada. A correnteza contrária mostrava que a receita para o melhor megulho é a paciência. Peixes não entrelaçam as mãos, mas se caso assim fosse ela podia jurar que flutuava. Fugia do olhar direto, afinal tinha medo de espiar aquela alma que se fazia doce em sua frente. Depois do sono e do sonho ainda pensou que podia ser mais de sonho e voltou a dormir.