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eram Deuses

a menininha acordou com um clarão no meio da noite vindo da Janela, que dava para o mar. Esfregou os olhos e abriu a boca: A Brisa, se fez um vento tão forte e tão concentrado que ate parecia um ser, o Mar levantava ondas tão grandes em resposta em conflito com a Ventania, eles conversavam, bem com ondas de gigantes podemos dizer que eles discutiam... ou dançavam... -de que sirvo para você? -ventania soprava,- se tudo que é vida em você pouco precisa de mim? ele a olhava e molhava cada vez mais longe as margens de areia, seu movimento intenso a fazia existir, mas em silêncio quebrava no amontoado de pedras. E ela soprava, -aqui eu existo e me sinto movimento, mas vou devastar outras águas e algumas folhas...afinal se permanenço você não conheceria a paz. ela voou e partiu, as ondas agora calmas desenhavam curvinhas na areia...a menina pulou a janela e caminhou..molhou a mão, uma ondinha molhou suas pernas..de boca aberta perplexa ela sentiu um gostinho salgado...de poeira d'agua.

Um livro na janela.

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A menina acordava com o menino do lado, era doce o beijo e irresponsável o desejo que sentiam um pelo outro. Ela queria o mundo todo num abraço. Ele queria o livro mais grosso e uma boa conversa. Ela queria o por do sol de vários lugares e ele queria mostrar isso a ela, para admirar seu sorriso de felicidade. Oxe, mas para quê ir tão longe se ela sorria só de vê-lo feliz? E ele feliz só de estar com ela? E por um tempo a presença dele e o sorriso dela bastaram para fazer a felicidade dos dois.Os dias passavam, sol, sorriso, café e pão, todo dia. Um dia nublado e abafado, a menina não viu o sol e não sorriu. Lembrou que em outro lugar teria sol, mas ele não a levava para lugar nenhum. Ele não viu o sorriso da menina, e sem alegria o dia findou, ele não queria procurar o sol, ele queria ler já que não tinha sorriso. A felicidade da menina estava no rastro do amanhecer dos dias ensolarados, a felicidade do menino estava num sofá fofo e uma pilha de livros ao lado. Ela esperou, olhando pel...
Tem uma vontade dentro de mim que eu não quero. Como posso aceitar a proibição que impus a mim mesma? Como posso entender que não posso mais ir até onde quero e permitir que venha? Parece que o vento o tempo todo canta uma musica triste em meus ouvidos e tem horas que não consigo pensar em mais nada. Isso é parte de mim que não poder ser remolvida, reformulada... A verdade as vezes é feia demais para ser revelada de modo tão direto, então a picoto em pedaços e faço com ela uma escultura, só percebe quem olha com cuidado. _________________________________________________________________________________________ **a cintura suada, mexe-se sinuosa e atrai olhares, ela distraia do garçom ao empresário, em sua dança ela sugeria o que poderia fazer se os quisessem, mas ela queria era dançar....sozinha.**

caixinha de pandora

no sorriso, no bom dia, no café... ela vivia e chorava, chorava e vivia. as lágrimas apagam o caminho atras dos passos. não era um braço, era um abraço que ela perdia, e como doía. Era o resto, a ponta solta dela que diluía, ela chorava, mas sorria. um outro braço num abraço amigo lhe entendia, mas nada dizia, porque palavras não são cirurgias. e os cortes não sangravam, cauterizados estavam , mas ela sentia. pegou a caixinha de madeira que cabia nas mãos, mas o que continha enchia dois mundos. Recolheu a água dos olhos e empurrou mais pro fundo da caixa, será que cabia? Numa dança desegonçada segurava a caixa pesada e a fita na perna do pássaro..voava.
"eu não quero ver você cuspindo ódio para sanar a dor" todo o brilho, a força, a alegria corriam agora perigosamente para um único ponto. A energia deliciosa que guiava os movimentos agora estava desequilibrada, concentrada num abraço louco e dolorosamente apertado. Ela andava...mas seu andar era firme e vazio. a sensação suave estava cercada de sombras, gritava e chorava pedindo para ser solta...não existia mais força nos cantos do corpo, estava tensa, mal. a vida vibrava nas palpebras, lágrimas que não caiam. Tudo de bom ameaçava transbordar para fora e perder-se nos prédios cinzas. queria continuar inteira.

peito aberto

o coração estava esguichando sangue pra todo lado. Nada do habitual, pegar da veia, jogar na artéria...ele queria arte bombeando mais que vida. fechou o olhos enquanto caminhava, estava doendo existir no momento, mas o vento no rosto era tão bom. Queria querer o tinha, queria tanto querer, esfregava as mãos numa oração febril,tanto tanto que machucava. o tempo vagava sem ordem na mente, então lembrava do sorriso e se perdia. estava tonta. besta. boba. cansada também.. então dormiu.
uma parede branca. um relógio branco na parede branca. uma menina sentada na cadeira de madeira escura. um boca de fogão ligada, embaixo de uma panela de vidro. dentro da panela a água borbulha. o ponteiro 'tac', a cabeça da menina "que demora essa água para ferver" tac, "o céu da minha janela não tem estrelas" tac, "eu estou cansada" tac, "já passa da meia noite, quero dormir" tac, "meus olhos ardem" tac, "alguém me abrace por favor" tac, "alguém me veja aqui escorada na cadeira e me abrace" tac, "alguém por favor" tac, "estou sozinha" tac, "ninguém virá" tac, "sozinha" tac, a água borbulha, e a garganta da menina dói, inútil, o choro sobe incontrolável. ela não desaba, ela não grita. tac, a lágrima escorre com suavidade de uma gota que escapa de um pequeno buraco, numa imensa represa. tac, ela já viu uma represa, você já? mais uma lágrima. Ela enxuga a primeira e a se...