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Sobre o para sempre, quando termina.

 Você cresceu comigo, vivendo nossas vidas amadurecemos. Para sempre, nos melhores e piores momentos. Parando para pensar eu nunca questionei muito se concordava com a pessoa que você estava se tornando, mas não é sobre isso. O que exatamente você precisava? Não sei, você não me dizia, então eu busquei dar meu jeito de estar por perto. Nos meus piores pesadelos, você faz parte do pequenino grupo de pessoas que foram, meus motivos para "voltar" dos buracos escuros onde eu me metia, dentro das minhas tristezas. Eu confesso que eu evito pensar na falta que sinto, mas mesmo fingindo que ela não existe, parece um corvo que bica o meu coração, em algum momento do dia. Sabe o que é mais louco? é a primeira vez que eu aceito que senti uma dor é algo bom, apesar de triste. Eu não faço ideia se isso vai durar, mas se durar, sentir sua falta, e ficar triste com isso, é o jeito que encontrei, daquela outra vez, em te manter perto de mim de alguma forma. Eu não compreendo a sua dor,  aind...

Eu fico chocada comigo mesma, constantemente.

Primeiro porque quando me releio, considero que sei muito mais sobre mim mesma do que acho que sei, e frenquentemente me pergunto,  POR QUE RAIOS, VOCÊ NÃO SE ESCUTA? Hoje pensei que preciso parar de sabotar minha própria liberdade, é como se fosse quase irresistível, pingar uma gota de tinta vermelha na translúcida taça da felicidade. "Poder fazer o bem e não faze-lo é pecar" frase que ouvi de um rapaz, enquanto esperar o delivery chegar. Ele me questionou se eu achava que todos eram essencialmente maus, eu disse julgar que era o contrário. Mas ainda hoje me senti TENTADA, a buscar a mais perversa autossabotagem dos meus sentimentos. Engraçado, enquanto eu estava me anulando no passado, era muito tranquilo, resistir há algumas coisas, e hoje por alguns minutos, pareceu terrível. Acho que cada um tem sua própria serpente do Eden, e a minha certamente é a traíção de mim mesma. O quanto eu sou fiel a mim mesma? essa pergunta desmacha um punhado de dúvidas e angustias, mas me co...

Barba azul - o vilão da história mora dentro de todos nós.

 Na hora mais crítica, não me sinto segura, me sinto apavorada. O animus dentro de mim, se calou diante do que estava vendo. Decaptado, no sonho um escaravelho vinhas das profundezas, eu já tinha sentindo e ficava aflita, por que eu não compreendia a tranquilidade de quem me oferecia, comer camarão enquanto nas profundezas da terra, ele subia para escolher qual cabeça ia arrancar. Arrancar? achei que os pratos de camarão era sobre o futuro, mas era sobre aquele dia na orla, onde eu já me sentia sem o direito de desfrutar. Eu já sentia, e eu ignorei para não desmanchar o castelo de areia. Eu tinha vindo de tão longe, eu queria muito acreditar que a gente não tinha montando tudo em cima de projeções e apenas isso. Fico pensando de vez em quando se eu me arrependo, mas não sinto arrependimento, cada dia que passa, eu chamo Bast para dentro do meu coração e a gente ri, no fim das contas, estou viva, estou bem, estou organizando o que é preciso para continuar o caminho. Cada qual respon...

lealdades inconscientes.

 Lealdades inconscientes, são terrenos super férteis para projeções, paramos de nos conectar com o outro para se conectar com um ideal. quanto mais adjetivos no discurso, mais julgamentos, existe uma estrutura psíquica diferente entre quem se posiciona diante do mundo e entre quem julga o mundo e o outro. a vibração bem ancorada de uma pessoa, pode mudar a vibração de um coletivo, diante da presença. varal de aprendizados do dia de hoje. berço de ouro, quando coloca lenha na fogueira, aprende sobre o viver e o morrer.

Ninfa da água.

 Acabo de assistir Nyad, um filme sobre uma mulher de 64 anos que realiza um sonho. 34 anos depois. 6 tentativas depois. um abuso sexual na adolescencia de quem ela admirava, seu treinador, depois. Terminei o filme com o rosto encharcado. hoje foram tantas, tantas lembranças do passado, que tomei notas de algumas. umas mais antigas que outras. Eis que me lembrei do ceu escuro na manhã de 20 de fevereiro de 2023, quando embarquei no taxi em direção ao aeroporto de Funchal. "vai ficar tudo bem" o Kenny, falou no meu ouvido, ao se despedir. E eu entrei no taxi chorando. vi o dia nascer, de dentro do taxi.  me despedi da Ilha no escuro, estava frio. O voo atrasou bastante e tive medo de perder a conexão em Lisboa, a fila da imigração estava completamente VAZIA, como se o caminho de volta ao Brasil estivesse livre. Eu não sentia o coração dentro do peito. fui assistindo um filme que não me lembro qual foi, quando cheguei ao Brasil, esperando Dino e Luana, eu abraçada nas malas, ch...

O que faria o amor?

 Perdoaria e pediria perdão?  é dificil entender que sinto falta da dignidade nas nossas conversas. tudo parece fora do lugar. Eu preciso de ainda mais silêncio. mais e mais silêncio. Respeitar a decisão tomada, me sentir um membro aputado de uma história. Seria mais fácil sentir ódio? Tudo aqui sooa um tanto dramático, mas é minha forma de elaborar, as alegrias escrevo com tinta de caneta, aqui grito os momentos difíceís para ninguém. não me sinto culpada, mas a responsabilidade das minhas escolhas, pesam os ombros.  Ainda assim todo dia agradeço, podia ter sido muito mais complicado. A luta é manter o coração aberto, como me pedem para fazer.

Eu não entendo os mistérios que vivo.

 Como explicar para alguém, que hoje a mesma pessoa que me sooa fria e conservadora, foi a pessoa que não fazia ideia que me completava os pensamentos? Se tu é a mesma pessoa, o que isso faz de mim? nos sonhos, tudo acontece nos cenários da infancia. Quando olho para o ano passado, me sinto enjoada pelo simples fato de estar lutando com meus monstros, de não confiar, de temer não consegui traduzir o que sentia. e agora te escuto com clareza de que não existe vestígio de confiança em ti, do que eu senti por ti. por nós. Eu sufoco no meu silêncio, nada que eu fale parece valer algo. Fiquei eu aqui, mais uma vez com minha história inteira, sozinha. Será mesmo que me escondo tão bem assim, daqueles mais próximos a mim? Ou é tudo apenas delírio? Tudo parece no lugar, voltei, estou mantendo o ritmo de trabalho, fiz alguns investimentos, sigo pagando minhas contas, em breve me mudo, planejo uma nova viagem para o fim do ano. A vida vai seguir seu curso normal, aos olhos do outro.  Aq...

te encontrei no rascunho escrito em 22.06.2022 pq te escrevi? já não lembro

 em muito pouco tempo volto, sufocada. um pressão no peito, um choro insistente. nessas horas eu nada faço além de observar a enxurrada de emoções que me atravessam. Não me apetece gritar. Não me apetece correr. Choro porque transbordo, não porque quero. o que está acontecendo? não estou em lugar nenhum. por favor, me ajude.  olhe para o passado, 

ter medo e não parar por nada.

 Cansaço de resistência, resistência vem com a mudança que resulta num desconhecido. observando o que está acontecendo. eu comecei a escrever esse texto em fevereiro, quando estava decidindo mudar de país. Hoje em Maio, eu mudei. E agora penso como seria minha vida se a vida me convidasse a mudar de novo?  Algo em mim ainda sente dificuldade de arriar as malas, de sentir-se completamente em casa, isso quando penso nas paredes, no chão, no teto, nas janelas, na arrumação do banheiro.  Acabo de me dar conta, que quero chegar em casa, antes mesmo de construir uma relação com ela. Como alguém que busca "um príncipe encantado" prontinho para ser "feliz para sempre", estou buscando a casa do feliz para sempre, como se ela já estivesse prontinha, me esperando. Toda relação é uma construção, o que me faz temer construir uma relação com "minha casa, meu lar"? " e se eu não ficar" me lembro de um apartamento que morei com meus pais e eles reformaram todinh...

Mais uma vez, eu te amo.

 um quadro entortado, uma pintura de uma Alana adolescente, uma blog que tem 13 anos de existência. e eu continuo trouxa, talvez um pouco menos, escrevendo com pressa, cheia de erros, para ninguém. eu já tinha entendido que ninguém viria me salvar. Eu carregava uma dor imensa por achar que a história era sobre a princesa abandonada que jamais seria salva. eu me embolei na minha raiva, eu deixe ela me enlaçar suavemente pelo cangote e que delícia ter minha raiva tão perto. Então fui abraçada pelo abandono, que colo gostoso. Uma princesa que já foi abandonada não precisa temer mais nada, ela já está fadada a liberdade de ser só. não é sobre ser salva. Não é sobre ter sido abandonada. a história sempre foi sobre aceitar minhas asas. Sobre entender o amplo conceito de livre arbítrio. sobre ser simples dentro. mais uma vez, eu te amo.

Saudades de mim.

 Vivo com constante saudades da minha solidão. buscando a liberdade de criar raízes, sem saber o que fazer. as perguntas estão todas respondidas. o problema existe? se sim, aonde? nas perguntas?  quando foi que perdi o rastro das perguntas que me levavam aonde eu queria ir? eu já sei o que tenho que fazer. e ainda assim, não sei de nada.

Já escuto meus sinais.

 Alguma coisa está preste a acontecer, meu corpo sente, meu útero abre espaço. O que me aguarda afinal? me sinto feliz.

Quando me permito enlouquecer um pouquinho.

 Eu sempre soube, que enlouqueceria um pouquinho... e eu não sei o que fazer. não importa o caminho, eles disseram. Escuto uma bateria francesa, tocada nos lençois maranhenses.... Por que não vem? Escolhi não me anestesiar. Escolhi senti, pensar, encarar; foi o que sobrou, ou é o começo?  até quando?

Raízes ao vento.

 meu florescimento deu brotos bonitos, ao redor do meu coração. e agora é preciso reorganizar espaço, é preciso mais chão. eu já não sinto mais frio por dentro, mesmo quando me escondo, tem uma chama ardendo no peito que faz minha caverna interna ser um dos melhores lugares do mundo.  Mesmo quando a ventania dos pensamentos sequestram o silêncio da minha sabedoria, já não me perco de mim, apenas me dou espaço. estou mudando de novo, e mudando mais uma vez. Estou indo para uma casinha que há muito sonhava, mas era de outra pessoa. Engraçado como a história é a mesma em dimensões diferentes, com desfeixos diferentes. apesar de estar na sua frente, não te pertenço, nem tu me pertence e olho para o que um dia eu quis ardentemente e sorrio porque agora tenho certeza de que vou embora. No momento em que consegui o que eu nem sabia que esperava, fico de frente para tu e vou embora. existe simplicidade mais torta que a minha? não digo a nossa, porque pelo menos nessa vida, você não me...

Verdade quase 33.

 eu me julgo e me condeno por tanta coisa, que não é justo, sabe? paralisada esperando um amor chegar, um amor que já está aqui e eu não consigo enxergar. ou não consigo aceitar. eu achei que era possível viver com ilusões conscientes, mas não é. Ilusões são por definição não conscientes: " Falta de percepção ou de entendimento que prejudica os sentidos; compreensão errada da mente." exatamente isso que você estava sendo  para mim, uma compreensão errada da mente que prejudica os sentidos. o que é louco por que o sinto por ti, mas mais sentido dentro da decisão de me afastar. eu nem chorei, sabe? nem me entorpeci, sem fugir correndo para os braços de alguém que fingia me dar o que eu parecia querer. eu fiquei aqui, sentido esse frio por dentro. quem sou eu depois de tudo isso?

Bêbado

 "Me sinto só, mas quem é que nunca se sentiu assim?" É um preciso amor e coragem para seguir em frente. paciência com o tempo de cada coisa, criatividade e divertimento para viver tudo que é necessário. Firmeza, prática diária. Firmeza na escolha que você fez.

Iansã me deu um presente.

 Daqueles presentes misteriosos que a gente fica feliz quando recebe, mas entender mesmo, só depois. O que ainda me faz chorar é o medo. e alguém que amo me disse que choro é oração poderosa. Meu coração conversa diretamente com a divindade o que minha mente ainda não alcança. Sossega menina.

para todas as minhas mulheres, deste plano e dos outros.

Ah minhas irmãs! Meu útero sangrou! e junto com ele veio a dor.  Chorei, chorei por que tudo, chorei pelos apegos do passado, chorei pelos apegos do que não vivi, chorei por todas as vezes que me preparei para ser mãe e por todas as vezes que me defendi disso. Sonhei que tanta coisa estava sendo posta finalmente para fora. Então hoje dancei com minha dor, fechei os olhos e dancei.  Lembrei que nós concordamos em nos proteger, lembrei dos dias de tenda vermelha onde praticávamos a selvagem liberdade de ser mulher, de ser bicho. Lembrei como em roda, todas juntas dançavam, choravam e sorriam o sentimentos de todas. Juntas sentíamos: as dores da irmã que estava perto de dar a luz. o desespero da irmã que perdera seu filho. o choro da irmã que liberava sua dor na cólica menstrual. o gozo da irmã apaixonada que vibrava sua kundalini. a emoção da irmã que sangrava pela primeira vez. a dor da irmã que continuava ocupando um lugar de dor em sua relação. sentíamos tudo e dançávamos com...

Para as minhas mulheres:

mais de uma vez experimentei tão grande sofrimento ao olhar para mulheres que ajudei, na época e que enquanto eu caminhava para minha fogueira, guilhotina ou forca, nada fizeram. Elas apenas me olhavam. Em alguns momentos gritei e chorei, os homens deduziam que meus gritos eram de arrependimento ou desespero, mas eram puramente da dor, de saber que eu precisava nas entranhas de ao menos um abraço das minhas irmãs e ao mesmo tempo entendia que elas me estendessem a mão, teriam o mesmo fim que eu. em outros momentos, me mantive altiva, repetindo para mim mesma que era forte e que me bastava, ciente que se elas estendessem a mão, seriam decapitadas junto comigo, ressentida de me sentir tão sozinha, mesmo que tenha escolhido ajuda-las sabendo dos termos e dos riscos. Ajuda-las a sobreviver aos seus homens. A curar com a bruxaria as feridas do corpo e da alma. e por essa escolha, fui privada da maternidade tantas vezes que terminei por renuncia-la. Uma renuncia tão profunda que nest...

quinze e quarenta e oito da tarde de domingo.

Calíope tenta se manter aquecida, entre minhas pernas debaixo do edredom azul. Azul porque gosto de imaginar que estou me cobrindo de mar, edredom, mosquiteiro, lençóis todos em azul. Assisto um série onde muitas cenas são de orquestra tocando. uma, duas lagrimas escorrem, não apenas bela ousadia da música, mas a beleza da cena. Uma mulher de moletom, sozinha em casa, num dia chuvoso, com o coração aquecido, fazendo exatamente o que ela tem vontade de fazer neste momento. As vezes num intervalo de silêncio, olha em volta pensando se lhe falta algo. Não.. Talvez falte um copo de água. Você já experimentou a sensação de estar simplesmente feliz? Quando tiro o fone, ainda escuto uma conversa ao longe e os passarinhos. O dia está lá fora, Alana... a felicidade, aqui dentro.